Jovens algarvios provam que cinema premiado se pode fazer com 27 euros

Dois dias, 27 euros gastos em sangue falso, arame farpado, envelopes e 12 jovens algarvios foi a fórmula certa para uma curta-metragem que tem somado prémios.

A maior parte da equipa trabalha no mesmo supermercado e o objetivo comum foi produzir um filme de guerra, sem orçamento e com uma vulgar câmara de vídeo digital, segundo os testemunhos desta história já com vários capítulos.

No último ano e meio, a curta-metragem «Comando» somou as distinções de Melhor Produção Nacional de 2010 na Shortcutz Lisboa, a Melhor Curta do Mês no Shortcutz Porto, a Melhor Realização no Festival de Curtas do Algarve e o Melhor Filme Nacional no 9.º Festival Internacional de Cinema da Arouca.

Com a realização a cargo de Patrício Faísca e Sonat Duyar, a curta também foi escolhida para a seleção oficial dos festivais Porto 7, Fest 2011, XI-SéVideo, New York Portuguese Film Festival e Bragacine 2011, onde será exibido quarta-feira.

A equipa que fez de tudo até se auto-denominou de Light Pictures tem recebido pedidos para que o filme seja exibido em mostras de cinema do Reino Unido, dos Estados Unidos da América, do Brasil, da República Checa e até da China, segundo um comunicado que passaram à comunicação social.

Sonat Duyar, um dos realizadores, revelou entretanto o «segredo» para quando se quer fazer um filme sem fundos: inverter a lógica.

«Em vez de se pegar num argumento e tentar reunir as condições para o transformar num filme, começa-se primeiro por olhar em volta e ver que recursos interessantes poderão estar disponíveis gratuitamente e só depois é que se tenta construir uma história», disse.

O «Comando» foi por isso feito porque os realizadores conheciam praticantes de airsoft (jogo desportivo de simulações de policiais ou militares), que podiam emprestar réplicas de metralhadoras e a equipamento militar.

Parte das condições de um filme de guerra estavam por isso reunidas, mas ainda faltava recriar o cenário de uma zona de combate. Mas também foi encontrada a solução: filmar no interior de uma «trincheira».

O buraco ficou com cerca de 20 metros de comprimento e foi cavada com pás e enxadas durante quatro dias no terreno de um vizinho, afirmou Sonat.

Durante as filmagens, as pessoas tanto eram técnicos, como atores e a banda sonora foi composta pelo co-realizador num teclado eletrónico. Com todo o sucesso, a equipa já tem ambições mais profissionais e quer abrir uma produtora.

@Lusa

” COMANDO”

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