Dispositivo consegue capturar um raio de luz atravessando uma garrafa em apenas um nano segundo, a bilionésima parte de um segundo.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) criaram um sistema de imagens que consegue capturar um trilhão de frames por segundo. A taxa é rápida o suficiente para produzir um vídeo em câmara lenta de uma rajada de luz atravessando o comprimento de uma garrafa de um litro. Com um custo de 250.000 dólares, a câmara poderá ser usada na computação quântica, produção de vídeos, geração de imagens médicas e células solares.

Andreas Velten, pós-doutorado no Media Lab, um dos maiores laboratórios de inovação do MIT, baptizou o sistema de “a câmara lenta ‘suprema'”. “Não há nada no universo que seja rápido demais para essa câmara”, disse. O dispositivo foi originalmente criado para ajudar químicos em experiências onde um raio de luz atravessa um objeto ou é emitida por um elemento.

Velten foi orientado por Ramesh Raskar, o mesmo que ajudou no projeto que vai permitir exames de vista por telemóvel, desenvolvido pelo brasileiro Vítor Pamplona, no MIT.

A configuração da câmara é completamente diferente das convencionais. A abertura da máquina é uma fenda estreitíssima, por onde entram as partículas de luz, ou fótons. De acordo com os cientistas, o modo como os fótons entram e são desviados na câmara permitem a produção apenas de uma imagem unidimensional. Para análises químicas, isso é irrelevante.

Contudo, para uma câmara de vídeo, essa é uma tremenda desvantagem. Os vídeos precisam de duas dimensões (altura e largura) para gerar correctamente imagens que os seres humanos possam reconhecer. Para fazer isso, os professores do Media Lab repetem a cena a ser filmada (como a luz atravessando uma garrafa) diversas vezes capturando o momento de diversos ângulos diferentes. Isso garante a construção de uma imagem de duas dimensões.
Para isso, os pesquisadores precisam sincronizar a câmara e o laser que gera o pulso de luz para que o tempo de exposição seja o mesmo em todos os registos. Todo esse esforço requer uma bateria de equipamentos ópticos de precisão e extremo controle mecânico. A luz demora apenas um nano segundo — a bilionésima parte de um segundo — para atravessar uma garrafa, mas é preciso uma hora para coletar todas as informações para o vídeo final. Por isso, Raskar brinca que a câmara também é chamada “a mais lenta câmara rápida do mundo”.

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